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30/05/2007
Eixo da Baltazar exige respeito do governo Fogaça

29 de maio, outra noite de muito frio. 467 pessoas registraram-se para participar. A assembléia do OP da região Eixo-Baltazar foi tumultuada desde o início, quando o pessoal do Vila da Vitória, ao ler o PI 2007, se deu conta de que ao contrário do que havia sido combinado, sua demanda de regularização sequer estava inscrita no PI, muito menos colocada em primeiro lugar como se pensava. Se o governo tivesse seguido o que determina o regimento do OP, isto não teria ocorrido, pois teria havido a apresentação do PI às comunidades ainda em 2006 para ratificação e não precisaríamos chegar a uma situação como esta. Laura, líder comunitária da Vila da Conquista estava inconformada: "Ladrões! E ainda transportaram esse monte de gente até aqui só pra aplaudir!". Muitas famílias vieram com os filhos, o que nos leva a perguntar onde foi parar o Brincalhão, o ônibus da Carris que vinha para proporcionar atividades de recreação para as crianças, dando mais liberdade de participação para as mães. I:eixoum:C: A fala do Secretário Busatto foi interrompida várias vezes por manifestações de participantes. É compreensível a irritação das pessoas. Com as obras do corredor paralisadas pelo governo do Estado, a região está um caos. A prefeitura tem se limitado a tapar os buracos, mas a situação está insustentável. Soma-se a isto os atrasos e alterações em linhas de ônibus que servem a região e mais uma vez a atuação desastrada do DEMHAB, gerando tanto falsas expectativas, quanto reações de protesto diante das várias demonstrações de intransigência para com os moradores das vilas que buscam regularização fundiária. Como disse o Manoel, do Passo das Pedras: "Até hoje ainda temos rede de água clandestina. Não por culpa nossa, mas do DMAE. Não temos esgoto pluvial, nem calçamento." I:eixodois:C: Apesar de algumas falas terem ressaltado o tema da educação infantil e da necessidade de escolas de ensino médio na região, muito ao sabor das sugestões do governo para algumas lideranças individuais, acabou predominando mesmo foi o tema da habitação, mostrando a força das comunidades ali presentes (Conquista, Costa e Silva, Três Mulheres, Riacho Doce e Amazônia). Saúde, Assistência Social e Saneamento foram os outros temas priorizados. A fala da Laura foi certamente a mais dura da noite: "Nós tínhamos decidido que uma das primeiras vilas que seriam atendidas seria a Vitória da Conquista. Era pra estar em primeiro lugar. É por isso que falamos em respeito. Respeito é respeitar o sistema do OP. Se o OP não existe mais e nós estamos aqui fazendo papel de idiotas, é melhor nos dizer isso cara a cara. Eu sou parceira do governo, mas quero que o governo também seja parceiro. O que está no PI não é o que foi decidido. Só peço isso: respeito!" I:eixotres:C: Maria Iná, conselheira da Região vinculada à Vila Amazônia, que acabou ficando em primeiro lugar reconheceu o direito da comunidade da Conquista: "Não sei o que aconteceu, a demanda é de vocês, o dinheiro é de vocês! Mas vamos procurar nos acalmar (...). Vocês precisam da Amazônia e nós precisamos de vocês." Cândido Acosta, do Recanto da Lagoa, também mostrou sua indignação: "O que nós vemos hoje aqui é as pessoas prometendo aquilo que não vão cumprir. (...) Não podemos deixar o governo se reunir e decidir o que eles acham sem a nossa participação. (...) [sobre a governança solidária] Quem é amigo do governo participa, nós nunca fomos convidados pra participar. Será porque eu tenho opinião diferente?" I:eixoquatro:C: A fala que talvez resuma melhor o tom da reunião foi a da Gislaine, da Vila Costa e Silva: "Exijo respeito pela nossa ocupação e para com todos que viemos aqui. Não é para estarem rindo da nossa cara. Deixamos de fazer janta para os nossos filhos. Não temos creche, mas construíram aqui um teatro que está abandonado. Somos pessoas que trabalhamos, pessoas que têm responsabilidades." O prefeito culpou a crise fiscal "de mais de 30 anos" do governo do Estado e mais uma vez centrou sua fala na importância da responsabilidade fiscal. Assim mesmo, ao final predominou o tom de moderação dado pelos atuais conselheiros da região, Hugo Osvaldo Hellwig e Maria Iná Santos dos Santos que procuraram acalmar os ânimos e se preocuparam em responder às situações de conflito que se evidenciaram durante a assembléia, sendo reeleitos para mais um mandato. Veja mais fotos na Galeria de Imagens do Cidade.
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