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18/02/2005
Atividade do GT de Gênero atrai mais de 200 pessoas

Desde setembro de 2004, o Grupo de Trabalho de Gênero, vinha concentrando energias para propor uma atividade no V Fórum Social Mundial 2005. E no dia 28 de janeiro, no terceiro dia de FSM, o grupo formado por 15 entidades, realizou a oficina (((“A participação do homem e da mulher nos diferentes espaços: aprendizagens e desafios”))), no Cais do Porto, em Porto Alegre. A sala, com capacidade para 200 pessoas, foi pequena, pois estava mais que lotada. Noelci Homero, do Maria Mulher, cumprimentou os presentes e anunciou a abertura artística, que ficou por conta da apresentação de recital poético musical de (((Vera Lopes e Nina Fola))). Abaixo, seguem trechos do texto interpretado pela dupla: I:oficinagt2:C: <<“A noite não dorme nos olhos de uma mulher Fazer da palavra artifício: arte e ofício. Eu fêmea matriz. Eu força motriz. Como dois e dois são quatro, Sei que a vida vale a pena Embora o pão seja caro E a liberdade, pequena. Falaram tanto que nosso cabelo era ruim Que a maioria acreditou... Eu sou daquelas que cobram o leite derramado... Quero meus direitos de cidadão Eu e minha companheira ai, ai. Queremos cumplicidade ai, ai. Pra brincar de liberdade ai,ai. No terreiro da alegria ai, ai".>> Logo após, Roseli Dias, do Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP), iniciou a abertura do painel, falando sobre o processo de construção da oficina. A Graciela, do Centro Ecumênico de Evangelização, Capacitação e Assessoria (CECA), fez a organização do painel e o chamamento dos palestrantes: I:oficinagt:C: (((Iara da Rosa - Coordenadora Geral do Ilê Mulher e Vice-presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM) ))) Hoje, o Ilê tem um trabalho sério, coordena uma Casa de Convivência de Moradores de Rua que buscam refletir sobre seus diretos e resgatar sua dignidade. O projeto Ilê Mulher e o Projeto SER – grupo de travestis e moradoras de rua (cita a Bárbara que está presente que é do grupo). Sobre o Conselho (COMDIM), comenta que, muitas vezes, faz discursos desvinculados da prática. Para ela, só se faz conselhos e assembléias com a participação de todos, pois cabe a homens e mulheres ocupar os espaços. A experiência no OP de cotas para as mulheres, nos locais da comunidade, as mulheres discutem suas dificuldades, mas quando chega em instâncias maiores (Conselho do OP, por exemplo) as mulheres discriminam as mulheres e votam nos homens. Nada contra votar em homens. Existem muitos homens mais feministas que as mulheres. Mas as mulheres precisam buscar seus espaços. Não queremos discutir política, mas a vida da gente é política. Os conselhos são instâncias que se interligam, em algum momento. E podem ajudar a construir um mundo melhor. (((Léa Beatriz Sanches Abraão - Conselheira do Orçamento Participativo))) É a única mulher na coordenação, a qual tem um negro e uma mulher. Falou na questão do OP escolar, que busca mais recursos para as atividades não contempladas pela Prefeitura. Para ela, o que dificulta a participação é a postura das pessoas que se desinteressam quando o microfone é ocupado por mulheres. Constata, também, a discriminação nas eleições. Nas diversas experiências, conclui que as mulheres têm que permanecer. Assim, adquire visibilidade e abre portas. O desafio é lidar com o superego das pessoas que discriminam. (((Claudir Nespolo - Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre))) Fui militante do Juventude Operária Católica (JOC) por mais de 10 anos. O método é ver, julgar e agir. Muito jovem, com 31 anos, fui eleito. O que facilitou na minha atuação foi a base de formação da JOC. Participo de uma categoria sindical que faz debate político e que também tem uma relação de amizade. Como presidente do Sindicato, tenta impulsionar a participação das mulheres. As conquistas também motivam, sabe-se que há muito a conquistar ainda, como a questão do salário e do emprego. O sindicato tem diversas secretarias: da mulher, dos jovens, dos negros, dos ppds, etc. A postura que as lideranças - nas suas práticas familiares e cotidianas - têm nas diversas temáticas da discriminação. Os homens aceitam lavar a louça? De quem é o carro da família? As mulheres têm conquistado espaços e nós, homens, temos a obrigação de ajudá-las a conquistar muito mais. No sindicato, benefícios que aparecem e que podem desviar dos objetivos. Ressalta a importância da temática da diversidade, da troca de endereços para troca de experiências. A seguir, Angela Gomes, do Cidade, fez a apresentação do power point, onde constavam os dados levantados pelo questionário aplicado nos públicos de algumas das entidades, componentes do GT. Em breve, a pesquisa será publicada como artigo, no site do Cidade. Depois disso, começaram as dinâmicas de grupo com o público presente na atividade. Alguns tiveram que cantar uma música e outros responderam uma pergunta relacionada à temática da participação. Daí foi aberto o debate ao plenário e a atividade foi encerrada com show do grupo musical (((“A Quatro Vozes”))), mais um violão, que realmente levantou o pessoal da cadeira, e fez todos cantarem a canção popular “Maria, Maria”. I:oficinagt1:C: “Que as reflexões feitas aqui sejam levadas e continuem nos seus grupos”.
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